Big Data

As tecnologias de Big Data visam capturar grandes volumes de dados não estruturados e em qualquer tipo de armazenamento e colocá-los em um grande repositório. A partir daí um “engine” ou motor de busca e organização começa seu trabalho, estruturando os dados de forma que o resultado final seja satisfatório para o seu propósito.

As empresas podem colher os dados de e-mail recebidos de clientes, das redes sociais por onde ela se comunica com o público, de suas transações por meio de Web e do seu ERP.

Ao juntar todas estas informações pode-se chegar a conclusões como: Quem é o meu cliente? Quais são seu gostos pessoais? Quanto ele gasta com meus produtos? O que ele acha do meu produto e quais são suas críticas e sugestões.

Podemos obter informações  que não imaginamos hoje obter, por exemplo:

Por meio dos relatórios divulgados pelos grandes buscadores, sabe-se que cerca de 1h a 1h30 antes do meio-dia as buscas por pratos de comida e restaurantes aumentam bastante e esse pico de busca se estende até as 14h aproximadamente.

Também é sabido (por meio desses relatórios) que para cada dia da semana um determinado prato é mais procurado e que certos pratos tem um aumento de buscas não relacionado a dias, mas sim, por terem aparecido numa novela, filme, ou programa de televisão.

Um restaurante (grande ou pequeno) pode otimizar sua publicidade nos meios on-line baseada nessas informações, e dessa forma incrementar suas vendas. Afinal, de que adianta ter seu anuncio exibido às 7h da manhã se o local não oferece café da manhã? Ou, apesar de ter o prato que aparece no último filme da moda, ele não é divulgado nos meios onde ele está sendo mais falado?

E se isso pode parecer básico para alguns (publicidade em resultados de busca), o que dizer da publicidade espontânea feita pelas redes sociais, e que tem seu custo extremamente baixo (ou praticamente zero)?

Imagine se, por exemplo, um filme que tem recebido boas críticas e prêmios e foi indicado para uma grande premiação internacional, e que está caindo cada vez mais nas graças do público, possui um prato que o restaurante pode oferecer e que além disso esse restaurante aproveite essa onda divulgando o prato nas redes sociais, bem como divulgando, também, dicas de acompanhamentos para esse prato e coisas relacionadas, como curiosidades?

Além do provável incremento nas vendas, haverá um aumento do público que passará a frequentar o local, além das novas recomendações que passará a receber. E isso porque soube usar os dados que estavam circulando pela rede e aparentemente não estavam relacionados.

E só para citar um exemplo prático disso, num filme recente de ação, um dos personagens num café pede um “profiterole” à garçonete. Na semana seguinte ao lançamento desse filme aqui no Brasil, houve um aumento de mais de 50% em algumas confeitarias na procura desse doce.

E é assim com muitas coisas. Em breve entraremos no outono/inverno, onde sabidamente há um aumento na procura por um novo cobertor/edredom ou de algum antigripal.

Se uma loja ou drogaria puder usar o momento em que essas buscas começam a crescer, anunciando que possui o produto buscado e podendo inclusive usar as informações de geolocalização para indicar qual a loja mais próxima de quem está procurando, e aparecendo desde o início dessas buscas sazonais para seu potencial consumidor, qual será seu incremento nas vendas se comparado com o concorrente que só passou a anunciar quando todo mundo já está gripado ou com frio?

Mas para isso é preciso termos ferramentas que possam acompanhar essas tendências e utilizar todo esse volume de informação disponível: palavras mais buscadas / mais populares / vídeos mais acessados / imagens mais compartilhadas / artigos mais populares...

Também não basta saber que daqui um mês / um dia / uma hora / um minuto, determinada palavra será mais buscada, é preciso traçar uma estratégia para aproveitar essa informação de forma que traga uma vantagem competitiva à empresa.

E isso faz lembrar de um caso recente, onde uma pequena empresa soube aproveitar a informação disponível e conseguiu assim uma vantagem competitiva que seus concorrentes não souberam aproveitar:

Um pequeno comércio que fabricava e vendia bolos, passou a acompanhar as previsões de pouca chuva e consequente queda de produção de açúcar dos países produtores, e que isso iria afetar a cotação internacional de açúcar, forçando o aumento de seus preços.

Com esse acompanhamento, esse comércio passou a aumentar o estoque do produto nos meses que antecederam essa colheita (e quando o preço do açúcar ainda estava mais estável). Com a confirmação da queda da produção, o aumento do preço do açúcar foi inevitável, afetando assim todos que usavam esse produto como parte de sua matéria-prima, e até mesmo o consumidor final. Por conta disso, a concorrência desse comércio também precisou repassar esse aumento de preço aos seus produtos.

Como essa empresa estava realizando esse acompanhamento e pôde aumentar seu estoque no momento certo, quando houve o aumento de preços, não precisou aumentar seus preços enquanto durassem seus estoques e isso permitiu que aumentasse sua clientela em 15% no primeiro ano.

Com o sucesso que obteve no acompanhamento de apenas um produto de sua matéria-prima, passou a acompanhar também os outros itens que faziam parte de sua lista de matérias primas, e aplicando a mesma estratégia, conseguiu manter assim uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes, e com isso, mesmo em períodos de crise, obteve um crescimento anual médio entre 15% a 20%.

Podemos pensar que mais importante do que todo esse burburinho causado pelos departamentos de marketing com novos termos para coisas que já nos cercavam e que de algum modo tinham influência direta ou indireta na nossa vida (pessoal ou empresarial), é saber como dispor de toda essa tecnologia que permite a qualquer empresa (independentemente do tamanho) ou pessoa acompanhar de forma muito mais abrangente e global questões que terão ou têm influência no seu dia a dia de forma muito mais independente e imparcial, tomando decisões mais acertadas.

Fonte: devmedia.com
Jairo Cardozo é consultor em Zygii Tecnologia – jairo.cardozo@zygii.com.br

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